O que será que o presidente tem contra os radares?

Recentemente o presidente Jair Messias Bolsonaro, do alto de seu destempero administrativo, anunciou pelas redes sociais o cancelamento da instalação de mais de oito mil radares eletrônicos espalhados ao longo das rodovias federais, e que os contratos seriam revisados para se ter certeza de sua “real necessidade”.

Como ocorre com toda medida populista visando fazer média com o povo, a novidade agradou aos motoristas, que encheram de elogios o despreparado presidente, vendo na sua iniciativa tresloucada uma forma de economizar pagamento de multas. Principalmente aqueles mais afoitos que fazem das rodovias uma pista de Fórmula 01.

Crédulos de que a partir de então ficariam livres para praticarem altas velocidades sem o incômodo dos radares, alguns motoristas comemoraram. Para eles a iniciativa do presidente era uma espécie de carta de alforria. Foram acometidos por uma sensação de tamanha liberdade, que nem imaginaram que isso não seria assim tão fácil.

Como era de se esperar, a alegria durou pouco, pois o senador Fabiano Contarato, ciente dos riscos que tal medida traria inclusive para os próprios motoristas, entrou com uma Ação Popular contra a decisão do presidente e a juíza Diana Wanderlei, da 5ª Vara Federal, concedeu liminar proibindo o presidente de retirar os radares.

Para a juíza Diana, a situação criada pelo presidente Bolsonaro causava insegurança à população, haja vista que o governo anunciou o fim de um plano técnico efetivo sem substituir por outro. A alegação do presidente para determinar a retirada dos radares das rodovias era “combater a mortalidade e combater a indústria de multas”.

Ainda segundo a juíza, para que se tome uma medida dessas, “é preciso primeiro realizar os estudos técnicos de forma isenta e fazer ponderações técnicas, para só assim traçar o planejamento e ir, se for o caso, gradualmente substituindo a política anterior quando estiver efetivamente definida a nova política e em pleno exercício.

O atual presidente constantemente resolve tomar providências sem ouvir ninguém, agindo como se o país lhe pertencesse. Ele acha que o presidente pode fazer o que bem quiser sem dar satisfação, o que não é verdade. Dessa forma ele vai descobrindo que presidente não manda nada, e isso tem lhe proporcionado inúmeras derrotas.

A decisão que determinou o cancelamento do ato do presidente de acabar com os radares nas rodovias federais é liminar e pode haver modificações a qualquer momento. Mas a decisão da juíza foi de suma importância para mostrar que o presidente não pode tudo e que em Brasília existe um senador que se preocupa com a vida.

Em entrevista à Rádio Senado o senador Fabiano Contarato foi enfático ao declarar que os radares salvam vidas, e que a medida do presidente era inócua e substituiria a “pseuda indústria de multas por uma verdadeira indústria de mortes”. A decisão do senador de ajuizar a ação foi alvo de críticas, mas valeu a iniciativa em favor da vida.

Minha secretária que já não aguenta mais as derrapadas do presidente da República, desabafa: “Chefinho. Não consigo entender o que o nosso presidente pretendia com uma medida sem noção dessas. Será que tinha intenção de ajudar alguém? A gente sabe perfeitamente que aquele que respeita a lei não precisa ter medo de radares!”