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No lançamento deste blog, cujo objetivo é comentar os mais variados acontecimentos, abordarei um assunto, que certamente muitos colegas se identificarão no caso. A intenção desse texto não é criticar, mas mostrar como o desleixo de alguns profissionais prejudicou nossa classe.

O tema de estreia deste blog – e não poderia ser diferente – é o caminho que tomou o jornalismo brasileiro, que até a década de 90 era informativo, divulgava os fatos com coragem e não deixava os leitores em dúvida se o que estavam lendo aconteceu ou teria acontecido.

Os jornalistas raízes, que buscavam os fatos e até colocavam a vida em risco, foram substituídos por profissionais acomodados, que sequer checam os fatos e, por isso, nunca têm certeza do que informam, criando dúvidas naqueles que buscam informação, se o fato aconteceu o teria acontecido.

Hoje a lei do menor esforço se materializa no copia e cola, que fez com que o ato de informar se transformasse num desastre, além de arriscado, pois uma notícia mentirosa ou catastrófica como a divulgada por um site de Mantena/MG recentemente, pode tomar uma dimensão enorme.

O jornalismo é uma profissão que exige coragem, conhecimento acima do normal, respeito ao leitor e constante atualização. É uma profissão que não se aprende na escola. Apenas aperfeiçoa as técnicas. Jornalismo é vocação. O jornalista já nasce predestinado a exercer a função.

Não é exagero concluir que o jornalismo da forma que é praticado atualmente virou um samba do crioulo doido, em que aquele que busca a informação nunca sabe se pode ou não confiar numa noticia feita no condicional; e o que informa não tem certeza do que está informando.

O uso indiscriminado do seria e do teria tira do veiculo de comunicação toda credibilidade. E com razão, pois o jornalista existe justamente para apurar a veracidade dos fatos que vai divulgar. Se nem ele tem certeza de que o fato aconteceu, muito menos seu público-alvo terá.

Na condição de ex-instrutor de Técnicas de Redação Jornalista pelo Senac/GV, e estudioso de comunicação, ouso afirmar que o jornalismo da forma que conhecíamos, morreu. Restou um jornalismo medroso, que nada informa e só aumenta a dúvida nos que buscam a informação.

E o vício atual, que foge à compreensão de qualquer pessoa esclarecida, pois o jornalista tem por dever dominar o idioma, é a insistência em chamar o criminoso de suspeito. Não se sabe onde e nem quando isso surgiu, mas infelizmente virou uma praga que impregnou o jornalismo.

Minha secretária bisbilhoteira, sem papas na língua, acaba de dar pitaco no meu texto: "Uai, chefe. Se o criminoso, e até réus confessos eles dizem que são suspeitos, os verdadeiros suspeitos, que são aqueles que não se tem certeza de sua culpa, serão chamados de quê?" Boa pergunta!